O Luto

Essa semana assistimos a partida de Dr. João Alves Filho, uma figura política ímpar na história de Sergipe. Não houve quem não tenha sentido um aperto no peito, uma sensação vazio e de perda. Por mais natural que seja, o enfrentamento da morte é sempre um desafio. As religiões e crenças variam em torno do mundo mas de maneira geral o processo é sempre muito doloroso.

A dor começa no sentimento trazido pela lembrança de experiências vividas, momentos compartilhados e objetos deixados. A presença na rotina diária de cada um envolvido naquele microcosmo transformam um luto em uma experiência mais do que individual, familiar ou até coletiva. Várias são as maneiras de expressar externamente a reviravolta interna da perda. Na nossa cultura ocidental é comum ainda usarmos a cor preta em sinal de respeito, em alguns lugares a cor branca representa essa perda, geralmente os países orientais. Independente do ritual de despedida, a superação interna da perda é algo que leva tempo e pode passar por algumas fases descritas pela psicologia. Nem todas as pessoas obrigatoriamente caminham por elas, mas é muito comum encontrarmos traços destas manifestações no caminho da superação.

Negação

A dor é intensa demais para ser tolerada. É praticamente impossível imaginar a continuidade de sua existência sem aquela pessoa a ponto desta perda ser negada. São aquelas pessoas que vemos agindo com muta frieza e racionalidade, incompatíveis com a situação. Estão negando internamente que isso realmente ocorreu. Com o desenrolar dos rituais que advém do falecimento, na maioria das vezes o enlutado é obrigado a enxergar que a perda foi real e começa a se permitir ter a sensação da perda e a dor decorrente dela.

Raiva

Uma vez que o entendimento da perda já aconteceu, uma grande revolta surge como uma grande mágoa, ódio e agressividade. Essa raiva é muitas vezes direcionada ao próprio falecido, ao médico assistente ou até mesmo a Deus, por te permitido que essa perda acontecesse. É uma fase de muita dor e desequilíbrio emocional. Ter uma rede de apoio pode ajudar muito na superação deste momento.

Barganha

O luto vem da sensação da perda. Existe o luto da saúde ou luto pela pessoa viva no caso de relacionamentos que findam. Na fase de barganha há uma tentativa mental de negociação, na maioria das vezes com Deus, no sentido de realizar promessas ou ações para que aquela realidade mude.

Depressão

Aqui percebe-se que a realidade não irá mudar independente do que possa ser feito ou prometido e o enlutado se vê preso a um grande pesadelo de onde não se acorda, mas pode-se tentar dormir para esquecê-lo. É comum sinais depressivos nesta fase como recolhimento domiciliar, tristeza, choro fácil, afastamento de relacionamentos sociais e a sensação que a perda jamais será superada. Essa fase pode ser especialmente difícil para pessoas que já possuem sintomas depressivos ou diagnóstico de depressão devendo sempre ser observada por familiares e amigos para que haja intervenção médica se necessário.

Aceitação

A evolução das fases anteriores é o amadurecimento da idéia da perda como algo real mas não necessariamente dolorosa o tempo todo. A lembrança vira saudade e carinho e há a percepção que a vida pode ser seguida em frente. A aceitação é tempo-dependente. Precisa haver a maturação de todos os eventos anteriores para que o entendimento do prosseguir da vida possa ser estabelecido.

Perder alguém amado nunca será fácil, apesar ser regra básica do jogo da vida. A espiritualidade individual é muito importante na condução do processo de aceitação e o tempo, a principal moeda. Que consigamos encontrar forças nos momentos mais difíceis e que possamos amparar sempre aqueles que precisarem de nós.

Até semana que vem.

Autor

Paula Saab

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